quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A ORDENAÇÃO

O rito de ordenação diaconal, segundo o antigo pontifical romano é muito longo e demorado. O Senhor Sebastião Evangelista Bezerra, já idoso se preparara com carinho para ser diácono em minha diocese. Sem muita saúde e aos 78 anos eu achava que observar todas as rubricas seria demasiadamente cansativo para ele.
Conversei e acertamos que ele seria elevado apenas ao diaconado, pois por sua idade, seria difícil fazê-lo suportar a ordenação presbiteral, por ser mais longa e complexa.
Iniciamos a missa. O Pe. Valdir Irineu Backmann era o mestre de cerimônias. Fazia cumprir rigorosamente cada letra da solene liturgia. E eu aflito pela demora e complexidade dos ritos. Embora estivéssemos em julho, o calor pelo acumulo de paramentos tornava o ambiente sufocante.
O ordenando trajava as vestes civis, a batina, amito, alva, cíngulo e logo receberia a estola e a pesada dalmática. Mas tudo era realizado com calma e reverência.
Terminamos a Missa. Suados e cansados os padres e eu chegamos a sacristia e aproveitei para dar mais um abraço, agora informal ao neo-ordenado.
Imaginei que ouviria reclamações ou que estava fatigado. Ele sorrindo me abre os braços e pergunta-me: Quando será a de Padre? Aguentei a de hoje, não aguentei?
O Silêncio e o meu sorriso amarelo foi a resposta.

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